Assassinos em Série

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Os Filmes de Serial Killers, em ficções conhecidas como as de Freddy Krueger, Sexta-Feira 13 e O Massacre da Serra Elétrica, estão influênciando crimes de assassinos em série, podemos ver nos noticiários atual muitas pessoas que estão seguindo e imitando o exemplo, veja:
 
Assassinos múltiplos, por definição, matam duas ou mais pessoas. Mas eles não são iguais: há tipos. Um é o spree killer, que mata mais de uma pessoa em mais de um lugar e não pára — não há um intervalo entre os crimes. Vários casos envolvem mais de um homicida, ou um homicida e um acompanhante, que estão alcoolizados ou drogados e, nos tempos atuais, se deslocam em automóvel. Vão roubando e matando para satisfazer suas necessidades. Matam uma a duas pessoas de cada vez, não matam todos de uma vez só nem matam em lugares conhecidos.
 
O sul-coreano que matou 32 pessoas em Blacksburg foi um rampage killer e não um spree killer. Matou muitas pessoas num lugar só, de uma vez. Os serial killers são os mais badalados. Os spree killers recebem menos atenção, talvez porque muitos sejam presos antes de matar muita gente. Os rampage killers não se importam se serão ou não presos e muitos se suicidam. Se despedem do mundo com a mortandade. Já serial e spree killers tentam escapar, não querem ser presos e não se suicidam.
 
Nesses crimes, aprendemos muito com estudos de caso. Há quase meio século, Charles Starkweather e Caril Fugate ilustraram como o cinema pode ter influência sobre os crimes.
 
Starkweather imitava o personagem encarnado por James Dean em Rebel without a cause. O mesmo penteado, olhar e cigarro no canto da boca estão presentes em foto do registro policial. Como em tantos casos, houve patologia na infância ou juventude, não em casa, mas fora, na escola. As pernas arcadas e um ligeiro problema na fala geraram deboches e agressões de colegas.
 
Starkweather brigava freqüentemente, mas atribuía as brigas ao deboche dos outros. A disparidade entre sua ambição e sua capacidade geraram grande frustração. Trabalhava como coletor de lixo e seus supervisores o consideravam deficiente mental. Escreveu uma autobiografia, Rebellion, importante para entender sua doença mental. Starkweather se convenceu de que, para ele, só restava o crime. A primeira vítima foi outro jovem, de 21 anos, com esposa e um bebê. Trabalhava num posto de gasolina. Starkweather roubou o posto e o matou a tiros. Não escondeu o crime da jovem namorada de 14 anos.
 
Foi o início de uma violenta carreira criminal que terminou no dia 25 de junho de 1959, quando foi executado. Caril, por ser menor, não foi condenada à morte, mas à prisão perpétua; porém, foi colocada em liberdade 18 anos depois. Juntos, mataram 11 pessoas em três meses. A carreira dos spree killers geralmente dura pouco, em contraste com a de alguns serial killers e a de criminosos brasileiros que também são assassinos múltiplos.
 
Andrew Cunanan tem pouco a ver com a maioria dos spree killers. O ambiente doméstico era austero, disciplinado, mas não violento. Com QI elevadíssimo, de 147, e gay assumido, era a antítese de Starkweather. Não obstante, havia, desde cedo, um indicador preocupante: era um mentiroso patológico e seus colegas sabiam disso. Esse conhecimento foi recuperado para integrar o perfil desse assassino. Andrew queria entrar no mundo fashion. Conheceu Gianni Versace, um dos reis da área, junção fatídica para ambos, pois tempos depois matou Versace e foi capturado.
 
Andrew se transformou em ator em vídeos pornô e entrou no mundo obscuro do sadomasoquismo. Nos vídeos era a vítima de estupros violentos em série. Enriqueceu e desceu ao mundo das orgias, das roupas de couro, das cadeias e do sexo violento. Depois, começou a matar outros gays.
 
A insuficiência mental de Starkweather e o alto QI de Andrew Cunanan colocam em dúvida a associação entre baixo QI e propensidade a se tornar um spree killer. O ambiente doméstico também não se encaixa no perfil. A sexualidade, que foi importante no caso de Cunanan, não o foi no caso de Starkweather. É importantíssima no desenvolvimento de um serial killer, mas não de rampage killers, nem de assassinos em série, estilo brasileiro.
 
Há outro tipo de assassino múltiplo, muito comum no Brasil, mas pouco estudado. São criminosos com extensa folha corrida (como diferente de muitos rampage killers) e podem matar muitas pessoas ao longo da sua carreira criminosa, que pode durar muitos anos. Não se caracterizam por várias mortes consecutivas, com pequenos intervalos entre elas. Os intervalos são maiores. São um tipo pouco estudado, mas obedecem à definição de assassinos múltiplos. Contribuem com uma percentagem alta do total de mortes. O risco de que quem já matou volte a matar é maior do que a de que alguém que nunca matou mate pela primeira vez. Esse risco aumenta a cada morte. Em São Paulo e em Minas Gerais, as polícias concentraram seus esforços nos reincidentes, com bons resultados.
 
Muitos começam cedo. Como os demais, não respeitam a vida humana nem sentem remorso. A reincidência atesta a ausência de remorso. Alguns podem chegar a matar dezenas de pessoas. Se não forem presos ou mortos, dificilmente encerrarão suas carreiras criminosas e mortíferas. Vão continuar matando.
 
Gláucio Ary Dillon Soares
Sociólogo, é pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj)
 
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